
Balneário Camboriú acordou nesta quarta-feira com uma cena digna de roteiro cinematográfico — ou tragicomédia financeira. Alvo da terceira fase da Operação Barco de Papel, da Polícia Federal, um investigado identificado pelas iniciais I.P. decidiu inovar: ao perceber a chegada dos agentes, lançou uma mala recheada de dinheiro pela janela do apartamento, no edifício Paganini Tower, na rua 901, no centro da cidade.
Choveram notas de R$ 100 e R$ 200. Não era ação promocional de verão nem performance artística na Dubai brasileira. Era tentativa de “desapego emergencial”.
🚔 O que foi apreendido
Segundo a PF, além do dinheiro espalhado pela calçada (e prontamente recolhido pelos policiais), foram apreendidos:
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💰 Quantia em espécie ainda em contagem
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🚘 BMW X6
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🚘 Porsche Macan
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📱 Dois smartphones
A nova fase da operação tem como foco localizar e recuperar bens, valores e objetos que teriam sido retirados do imóvel do principal alvo do caso, Deivis Marcon Antunes, ex-presidente da RioPrevidência.
📑 O pano de fundo
A Operação Barco de Papel investiga irregularidades na compra de letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central do Brasil.
Entre novembro de 2023 e julho de 2024, a RioPrevidência teria investido cerca de R$ 970 milhões no banco. A suspeita envolve possível fraude, ocultação de provas e obstrução de investigação.
Nesta quarta-feira, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Balneário Camboriú e Itapema, por ordem da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. A ação contou com apoio da Delegacia da PF em Itajaí.
I.P. segue em liberdade, mas a Polícia Federal não descarta pedir prisão preventiva dele e de sua esposa.
🎭 Ironia que escancara
Em tempos de transações digitais, criptomoedas e bancos virtuais, a tentativa de resolver tudo no “modo analógico” — jogando dinheiro pela janela — revela mais desespero do que estratégia.
No fim das contas, a cena deixa uma pergunta no ar:
Quando o barco começa a afundar, vale tentar jogar a carga pela janela?
A investigação segue. E Balneário Camboriú, mais uma vez, vira vitrine — não apenas de luxo e arranha-céus, mas de episódios que misturam poder, dinheiro e espetáculo.

Fotos: Divulgação PFRJ - Dinheiro foi jogado pela janela do apartamento durante chegada da Polícia Federal



















