
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a Europa durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta terça-feira (21). Em meio ao aumento das tensões diplomáticas, Trump declarou que “a Europa não está indo na direção correta”, reacendendo atritos com lideranças do continente.
A fala ocorreu em um momento delicado, marcado pela intenção já declarada do governo norte-americano de insistir na anexação da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. O posicionamento de Trump provocou reação imediata de líderes europeus, que passaram a adotar um discurso mais firme em defesa da soberania do território.
Trump chegou a Davos com atraso, após um problema elétrico no avião presidencial Air Force One. Mesmo assim, manteve o tom assertivo ao falar a uma plateia que definiu como composta por “amigos e alguns inimigos”. Segundo ele, a economia dos Estados Unidos vive um bom momento.
“As pessoas (nos Estados Unidos) estão felizes comigo”, afirmou.
Reação europeia e escalada diplomática
Após Trump declarar que “não há mais volta” em seu plano sobre a Groenlândia, líderes europeus elevaram o tom. O presidente da França, Emmanuel Macron, considerado um dos principais articuladores da resposta europeia, solicitou a realização de um exercício da OTAN na Groenlândia, segundo informações do Palácio do Eliseu.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o continente está “preparado para agir”.
“A Europa prefere o diálogo, mas estamos totalmente preparados para agir, se necessário”, declarou.
Outras lideranças reforçaram a posição comum:
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O presidente da Finlândia afirmou, em Davos, que a Europa não depende dos Estados Unidos para garantir sua defesa;
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O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, adotou discurso semelhante;
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O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que a União Europeia está pronta para defender seus Estados-membros, cidadãos e empresas “contra qualquer forma de coerção”.
A Dinamarca, por sua vez, avalia o envio de até 1.000 soldados para a Groenlândia em 2026, segundo a emissora local TV2.
Cúpula de emergência e críticas até da extrema direita
Líderes europeus devem se reunir nesta quinta-feira (22) em uma cúpula de emergência para alinhar uma resposta conjunta às declarações de Trump e discutir o cenário de uma “nova ordem mundial”, nas palavras de von der Leyen.
Até mesmo setores da extrema direita europeia, historicamente próximos a Trump, passaram a criticar o presidente norte-americano. O francês Jordan Bardella, líder do Reunião Nacional, afirmou no Parlamento francês que a Europa não pode ser submissa aos Estados Unidos.
“Quando um presidente dos EUA ameaça um território europeu usando pressão comercial, isso não é diálogo — é coerção. A escolha é simples: submissão ou soberania”, declarou.
Tom conciliador e bastidores da diplomacia
Apesar do discurso duro, Trump ensaiou uma postura mais conciliadora na noite de segunda-feira, ao afirmar que acredita em um acordo que agrade à OTAN e aos Estados Unidos, citando razões de “segurança nacional”.
Nos bastidores, o secretário-geral da OTAN indicou que negociações estão em andamento. Mark Rutte afirmou estar tratando da questão da Groenlândia de forma discreta e reforçou a importância da parceria histórica entre os aliados, lembrando que o Artigo 5º da aliança já foi acionado em favor dos EUA após os atentados de 11 de setembro.
Na véspera, Macron já havia enviado um recado direto a Trump durante discurso em Davos, afirmando que a Europa “não se curvará” a novos imperialismos e que seguirá ao lado da Dinamarca diante das pressões sobre a Groenlândia.
O embate em Davos evidencia o aumento das tensões transatlânticas e sinaliza um período de relações mais duras entre os Estados Unidos e a Europa, com a soberania territorial e a segurança internacional no centro do debate.





















