
Uma caminhada marcada pela dor, pela indignação e pelo clamor por justiça reuniu dezenas de pessoas na manhã deste domingo (25), no Litoral Norte de Santa Catarina. Familiares, amigos, lideranças comunitárias e ativistas percorreram o trajeto entre a Praia Alegre, em Penha, até o Centro de Balneário Piçarras, em homenagem à memória de Daiane Simão da Costa, de 33 anos, vítima de feminicídio.
Daiane foi assassinada a tiros no último dia 17, em um crime que chocou a região e todo o Estado. O homicídio ocorreu em frente à base da Polícia Militar, em Balneário Piçarras. O autor foi o próprio marido da vítima, Almir de Sena Soares, de 42 anos, que havia sido liberado do presídio da Canhanduba, em Itajaí, três dias antes. Após cercar e matar Daiane, ele tirou a própria vida.
Caminhada e atos simbólicos
Participantes vindos de Balneário Piçarras, Penha, Barra Velha e Itajaí levaram cartazes com mensagens de alerta e pedidos por mais proteção às mulheres. Um dos atos simbólicos mais impactantes foi a exposição de calçados representando vítimas de violência em Santa Catarina, instalada inicialmente na praça Lauro Zimmermann, em Penha, e depois em frente à unidade policial de Balneário Piçarras, na rua Albano Schultz.
A mãe de Daiane e outros familiares acompanharam todo o percurso, visivelmente emocionados, agradecendo as manifestações de apoio e solidariedade recebidas desde o crime.
Mobilização e cobranças
O ato foi organizado pelo Coletivo Mulheres do Brasil em Ação (CMBA). Durante a manifestação, a ativista Regina dos Santos cobrou mais estrutura e políticas públicas de proteção às mulheres, destacando que o coletivo deixou de atuar no município há cerca de um ano por falta de apoio institucional.
Penha esteve representada por oito vereadores, entre eles a única mulher da Câmara, Manu Rodrigues (PP). Também participaram entidades como o Instituto Araxá, de Itapema, e o MOVI – Movimento Mulheres que Inspiram, com atuação em Barra Velha e Balneário Piçarras.
A professora Betinha Tamanini, representante do MOVI, defendeu como urgente a criação dos Conselhos Municipais dos Direitos da Mulher nas duas cidades, ressaltando que a ausência desses órgãos enfraquece a rede de proteção e prevenção à violência.
A exposição simbólica foi trazida de Florianópolis pela vereadora Ingrid Sateré Mawé (PSOL), primeira indígena eleita no Estado, que criticou a falta de ações mais efetivas do governo catarinense no enfrentamento ao feminicídio. A deputada estadual Ana Paula da Silva, conhecida como Paulinha (Podemos), também esteve presente.
Um pedido coletivo
A caminhada terminou com um forte apelo por justiça, memória e mudanças concretas. O nome de Daiane foi lembrado como símbolo de uma luta maior: o combate ao feminicídio e a defesa do direito das mulheres à vida, à segurança e à dignidade.





















