
Atrasos salariais e a falta de pagamento do 13º salário levaram motoristas terceirizados a protestar na manhã desta sexta-feira (6), em frente à sede da Prefeitura de Araquari. Contratados por uma empresa responsável pelo transporte de diversas secretarias municipais, os trabalhadores afirmam que não recebem desde o mês de dezembro e enfrentam uma grave crise financeira.
Segundo os manifestantes, os serviços eram prestados a setores essenciais do município, incluindo a Secretaria de Saúde. Sem salário, muitos relatam dificuldades para manter despesas básicas do dia a dia, como alimentação e contas domésticas.
O diretor do Sindicato dos Condutores de Veículos de Emergência de Santa Catarina, Cristiano Gomes, acompanhou a mobilização e afirmou que a situação se arrasta há semanas, apesar de tentativas de negociação. De acordo com ele, um acordo teria sido firmado recentemente para o pagamento de parte dos valores, mas o compromisso não foi cumprido.
“Não estamos pedindo favor. Salário é direito. As pessoas trabalharam e precisam receber. Muitos já estão com as despensas vazias e contas atrasadas”, destacou Gomes, ao criticar o modelo de terceirização adotado pelo poder público.
Entre os relatos mais fortes está o de Mário Sérgio Tavares, ex-motorista da empresa, que afirma ter sido desligado sem receber verbas rescisórias. Desempregado, ele relata dificuldades extremas.
“Minha geladeira está vazia, não consigo pagar minhas contas. A empresa não paga ninguém e continua atuando no município. Isso é desumano”, desabafou.
Prefeitura anuncia medidas contra empresa
Em nota oficial, a Prefeitura informou que iniciou o processo de rescisão do contrato com a Centro Oeste Serviços Terceirizados, após constatar o atraso nos pagamentos. A administração municipal afirma que a responsabilidade pelos salários é da empresa contratada, conforme previsto em contrato.
Ainda segundo o comunicado, foram aplicadas penalidades administrativas, incluindo a proibição da empresa de participar de novas contratações públicas pelo período de dois anos. O município também garantiu que os valores em atraso serão pagos aos trabalhadores, com desconto direto dos repasses devidos à empresa, após os trâmites administrativos.
A Prefeitura informou ainda que a próxima empresa classificada no processo licitatório será convocada para garantir a continuidade do serviço.
Empresa cita recuperação judicial
A Centro Oeste Serviços Terceirizados confirmou que está em processo de recuperação judicial. Em nota, a empresa reconheceu a importância dos salários para seus colaboradores e afirmou que vem tratando a situação com “responsabilidade, diálogo e transparência”, em conjunto com o poder público.
A empresa declarou que permanece apta à execução de contratos públicos e que está adotando medidas para regularizar os pagamentos e evitar novos atrasos.
Enquanto os processos administrativos avançam, os trabalhadores seguem cobrando soluções imediatas, reforçando que, para além de números e contratos, a situação envolve famílias que dependem do salário para sobreviver.

Manifestação ocorreu em frente à prefeitura (Foto: Heverton Ferri, NSC TV)



















