
A Prefeitura de Barra Velha lançou convite oficial para a cerimônia de entrega da obra do novo Pronto Atendimento 24 horas, no bairro Jardim Icaraí. A solenidade de inauguração aconteceu nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, anunciando a conclusão da estrutura física do prédio.
No entanto, antes mesmo da cerimônia, o anúncio já provocava debates entre moradores, especialmente entre usuários do sistema público de saúde. A principal pergunta que circula nas redes sociais e em grupos comunitários é direta: qual a razão de inaugurar um projeto inacabado?
A diferença entre “obra entregue” e “serviço funcionando”
No caso de unidades de saúde, não basta o prédio estar pronto. Para que o equipamento público cumpra sua finalidade social, é necessário que esteja devidamente estruturado e em funcionamento. Isso inclui:
- Equipamentos hospitalares instalados
- Medicamentos disponíveis
- Equipe médica e de enfermagem contratada
- Recursos garantidos para o custeio mensal
Sem esses elementos, a estrutura física não se traduz automaticamente em atendimento à população.
O que dizem os princípios da administração pública
Embora a entrega de estruturas físicas seja prática recorrente em diversos municípios brasileiros, juristas lembram que a administração pública deve obedecer a princípios constitucionais como moralidade e impessoalidade.
Inaugurações sem o efetivo início do funcionamento podem ser interpretadas como atos de promoção política, especialmente em períodos pré-eleitorais, o que amplia o debate sobre a finalidade da cerimônia anunciada.
A preocupação da comunidade
Moradores ouvidos pela reportagem afirmam que a cidade já enfrenta sobrecarga no atendimento de urgência e emergência. Para eles, o ideal seria realizar uma única cerimônia: a entrega da obra junto com o início oficial dos atendimentos.
“Se é para gastar com estrutura de evento, convites e mobilização, que seja para colocar em funcionamento de fato”, comenta uma moradora do bairro Itajubá.
Outro ponto levantado é o receio de que o prédio se torne um “elefante branco” caso faltem recursos para mobiliar, equipar e manter o funcionamento 24 horas.
Transparência e responsabilidade
A cobrança da comunidade não é contra a obra em si — considerada importante e necessária —, mas sim quanto à efetividade da entrega. Para muitos moradores, mais do que a conclusão da estrutura física, o que se espera é a garantia de atendimento real à população.
O debate reforça a importância da transparência e da responsabilidade na condução de investimentos públicos, especialmente em áreas essenciais como a saúde.




















