
A grave denúncia de contaminação na Praia do Tabuleiro, em Barra Velha, ganhou novos desdobramentos e aumentou a pressão sobre o poder público.
Além do laudo técnico recente que aponta despejo de esgoto doméstico in natura na rede pluvial, o caso já havia sido denunciado no dia 10 de janeiro — em plena temporada de verão — e divulgado nas plataformas digitais do jornal Folha Parati, gerando forte repercussão na época.
Na ocasião, um morador alertou sobre o forte odor, alteração na coloração da água e indícios claros de lançamento irregular de esgoto na região próxima ao Posto de Guarda-Vidas nº 3. A publicação provocou indignação imediata, principalmente entre famílias que residem nas proximidades e comerciantes que dependem do fluxo turístico.
Agora, com a divulgação do laudo técnico, a revolta da população se intensificou.
📊 Laudo confirma contaminação alarmante
As análises laboratoriais realizadas pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) apontam:
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Coliformes termotolerantes: 160 vezes acima do limite permitido para banho.
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Oxigênio dissolvido: apenas 0,27 mg/L — praticamente inexistente.
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Nitrogênio amoniacal: concentração acima do dobro do limite legal.
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Substâncias tensoativas (detergentes): presença elevada, indicando ligações clandestinas de pias e máquinas de lavar na rede pluvial.
Segundo a Associação de Moradores do Bairro Tabuleiro, existem cerca de 20 pontos de descarte irregular ao longo de dois quilômetros de orla, configurando um cenário de grande escala.


“Não se trata apenas de um problema ambiental. É uma questão de saúde pública”, afirmou o presidente da entidade, coronel Luciano Canaparro Behrend.
🚨 Pode configurar crime ambiental
A prática pode violar a Lei Federal nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) e descumprir normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que regulamentam padrões de qualidade da água e proíbem o lançamento irregular de efluentes.
A Associação solicita:
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Fiscalização imediata;
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Tamponamento das ligações clandestinas;
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Identificação e responsabilização dos envolvidos;
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Divulgação de um cronograma público de saneamento básico para a região.
O Conselho Municipal de Saneamento tem prazo de 30 dias para se manifestar oficialmente.
🔥 Comunidade cobra respostas
Moradores afirmam que o alerta feito e divulgado em 10 de janeiro já demonstrava a gravidade do problema. A permanência da situação após a denúncia pública gerou sentimento de descaso.
“Estamos falando de verão, alta temporada, crianças e turistas entrando no mar. A denúncia foi feita e divulgada. O que foi feito desde então?”, questiona um comerciante da região.
A repercussão nas redes sociais voltou a crescer, com cobranças diretas por providências imediatas.
🏖️ Risco à saúde e à imagem turística
A Praia do Tabuleiro é um dos principais cartões-postais de Barra Velha. A contaminação pode:
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Colocar banhistas em risco biológico;
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Comprometer a vida marinha;
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Afetar a balneabilidade;
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Impactar diretamente o turismo e a economia local.
A reportagem aguarda posicionamento oficial da Prefeitura.
O caso agora deixa de ser apenas ambiental — e passa a ser também um teste de transparência e responsabilidade pública.



Fotos: Fabio Siqueira Filho (registro do dia 10 de janeiro de 2026)




















