
Balneário Piçarras deu início a uma das etapas mais importantes da megaobra de alargamento da faixa de areia da orla marítima: a montagem e soldagem da tubulação que será responsável pelo transporte do sedimento até a praia. Os trabalhos estão sendo realizados no canteiro de obras instalado nas proximidades da Praia da Barra, na região sul do município.
A empresa vencedora da licitação, a DTA Engenharia, já mobilizou equipamentos e equipes especializadas para a execução desta fase inicial. A expectativa é que a draga Amazone chegue a Balneário Piçarras no dia 24 de janeiro, após desembarcar no Porto de Itajaí no dia 18 e passar pelos trâmites de importação e liberação.
Obra histórica para a orla
O projeto contempla um trecho aproximado de 2 quilômetros de extensão, entre o molhe da Avenida Getúlio Vargas e o molhe da barra do Rio Piçarras. Ao todo, serão depositados 379.166,76 metros cúbicos de areia ao longo da orla, com investimento de R$ 38.280.000,00. A nova configuração prevê um aumento médio de 30 metros na largura da faixa de areia.
Antes do início da dragagem, é necessária a montagem da tubulação que fará o recalque do material. Cada tubo pesa cerca de quatro toneladas e possui 12 metros de comprimento. Em terra, a tubulação alcançará aproximadamente 500 metros, enquanto no mar variará entre 1.200 e 1.500 metros de extensão.
De acordo com o gerente da DTA Engenharia e responsável técnico pela execução da obra, Pedro Tognozzi, esta é uma fase decisiva do cronograma.
“O início dos trabalhos ocorre com a mobilização de todos os equipamentos e tubulações, incluindo a soldagem dos tubos que serão responsáveis pelo transporte do sedimento da draga até a praia. Essa fase exige muito planejamento e verificação de todos os sistemas, para garantir que a obra transcorra sem interrupções”, explica.
Início dos serviços no mar
Após a conclusão da soldagem, a tubulação será lançada ao mar e conectada à draga. O lançamento da linha de recalque está previsto para ocorrer em três pontos da orla, com sinalização por boias e iluminação, garantindo a segurança da navegação e das equipes envolvidas.
Os trabalhos terão início pela parte sul da orla, a partir do Molhe da Praia da Barra, avançando gradualmente em direção ao norte, até o molhe da Avenida Getúlio Vargas. As intervenções serão realizadas em trechos de 300 metros, com interdições temporárias e sinalização adequada.
Segundo o secretário de Obras, Arthur Ribeiro, o acesso será controlado durante a execução.
“A princípio, realizaremos interdições rigorosas a cada 300 metros, permitindo o acesso apenas de pessoas autorizadas. Após a conclusão de cada trecho, ele será liberado e os trabalhos avançarão de forma progressiva”, destaca.
Geração de empregos e proteção costeira
A jazida de onde será retirada a areia está localizada a cerca de 10,5 quilômetros da Praia Central, próxima à Ponta da Vigia, no município de Penha. O material possui as mesmas características da areia existente, conforme exigências do licenciamento ambiental.
A draga Amazone deverá transportar cerca de 6 mil metros cúbicos de areia por viagem, com até quatro operações diárias. Aproximadamente 60 profissionais atuarão diretamente na obra, envolvendo técnicos de soldagem, meio ambiente, segurança, operadores de máquinas e auxiliares.
Além de ampliar o espaço para moradores e turistas, o alargamento da faixa de areia cria uma barreira natural contra a erosão costeira e os efeitos das ressacas marítimas, fortalecendo a economia local e impulsionando o turismo.
Monitoramento ambiental
Paralelamente à obra, o Município licitou a execução do Plano Básico Ambiental (PBA), com investimento aproximado de R$ 3,5 milhões. O plano inclui 12 programas ambientais, como monitoramento da qualidade da água, controle da erosão, acompanhamento do sedimento, comunicação social e gerenciamento de resíduos.
Somados, os investimentos ultrapassam R$ 40 milhões. Para o prefeito Tiago Baltt, a obra representa um marco para o desenvolvimento sustentável do município.
“Além dos benefícios diretos aos usuários da praia, enfrentamos problemas históricos com ressacas marítimas. O alargamento da faixa de areia contribuirá significativamente para a proteção da nossa costa”, afirma.
Com prazo máximo de execução de 60 dias, a intervenção marcará o quarto alargamento da orla de Balneário Piçarras — os anteriores ocorreram nos anos de 1998, 2008 e 2012.



Fotos: Prefeitura Balneário Piçarras



















